sábado, 10 de novembro de 2018

A DIREITA E A ESQUERDA

Gênero textual: soneto (poema)
Autor: Profirmeza




Minha perna direita

Vive chutando a esquerda

A esquerda revida aos pontapés

E assim elas vão trançando os pés



Só que nessa toada de coice e pancada

Elas ficam igual caranguejo

De um lado pro outro

Sem enxergar a faca e o queijo



Quem sabe um dia

Elas não entram em um acordo

E começam a andar pra frente



Destruindo muros, construindo pontes

Deixando cavernas, trilhando horizontes

Sentindo do sol o toque, reluzindo na fronte


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

FOGO NA FLORESTA

Gênero textual: peça de teatro
Autor: Profirmeza



FOGO NA FLORESTA

André Luiz Raphael
(Profirmeza)

FADA ESPERANÇA
FADA PERALTA
FORMIGA
DONA FLOR
DONA ÁRVORE
FOGUINHO
FOGUEIRA
FOGARÉU
BORBOLETINHA
SAPO (SAMBA LELÊ)
ELEFANTE
CIGARRA
LEÃO
GATO
CORUJA

CENÁRIO: Ambiente e iluminação que representem uma floresta ao longo de um dia.

Entram as duas fadas juntas e de mãos dadas, param no centro do palco e com voz solene começam a conversar com a plateia.

FADA ESPERANÇA: Olá queridos amigos! Eu sou a fada “Esperança”. E vim aqui hoje para contar a todos uma história para inspirar e mostrar a importância da...

FADA PERALTA: Da bagunça e da palhaçada! Eh! Eh! Eeeeeeeh!

FADA ESPERANÇA: Não fada “Peralta”! Eu iria dizer a importância da união e da cooperação para resolver problemas.

FADA PERALTA: Ah tá! Conta aí então! Eu quero ouvir! Eu quero ouvir! Eu quero ouvir também!

FADA ESPERANÇA: Tá bem! Tá bem! Mas faz silêncio pra eu poder contar, tá boooooom!

FADA PERALTA: (balançando a cabeça afirmativamente) Sim! Sim! Sim!

FADA ESPERANÇA: Certa vez na floresta de Aracoara, não se sabe como, um grande incêndio começou...

(As fadas saem de cena. Entra dona Flor e dona Árvore e se posicionam no palco.)

DONA FLOR: Nossa, tá sentindo um cheiro estranho?

DONA ÁRVORE: Ih! Ó! Num fui eu não!

DONA FLOR: Não é disso que eu tô falando! Eu tô falando de outra coisa!

DONA ÁRVORE: Ah tá! Agora que você disse (faz gesto de quem cheira algo) Tô sentindo cheiro de coisa queimando.

(Entram os personagens que representam o incêndio: FOGUINHO, FOGUEIRA e FOGARÉU)

FOGUINHO / FOGUEIRA / FOGARÉU: Vamos queimar tudo! Vamos! Vamos! Vamos queimar tudo! Vamos! Vamos! Vamos queimar tudo, isto vai virão carvão! (paródia de “Vamos quebrar tudo”).

DONA FLOR: Sai pra lá, seus malvados!

DONA ÁRVORE: Fora daqui, seus arruaceiros!

FOGUINHO: Não saio! Daqui ninguém me tira! Lero, lero!

FOGUEIRA: Vou incendiar tudo! Ah! Ah! Ah!

FOGARÉU: É isso aí! As floresta pira, morô, baby?!

DONA FLOR: Oh meu Deus! E agora? Quem poderá nos ajudar?

DONA ÁRVORE: Agora é que a onça vai beber água! Agora é que a vaca vai pro brejo!

DONA FLOR: Nossa! Que grande ideia, dona Árvore! Vamos chamar a bicharada e eles vão trazer bastante água para apagar o fogo deste incêndio sem educação! Então vamos gritar!

DONA ÁRVORE / DONA FLOR: Socorro! Socorro! Fogo! Fogo!

(Entra a formiga preocupada com os gritos de socorro)

FORMIGA: Que foi? Que foi gente?

FOGUINHO / FOGUEIRA / FOGARÉU: Affffff! Olha o cisco que entrou em cena! KKKKKKK!

DONA ÁRVORE: Nossa! Chamei uma onça e veio uma formiga! Mereço!

DONA FLOR: Não subestime os bichinhos, dona Árvore. Toda ajuda é importante.

FORMIGA: E aí pessoal? Em que posso ajudar?

DONA ÁRVORE: Tá pegando fogo aqui! Socorro!

FOGUINHO: É nóis! É nóis no incêndio!

FOGUEIRA: S2! Olha a selfie de chamas! Click!

FOGARÉU: # (Rashtag) incêndio, morô!?

FORMIGA: Ai meu Deus! Que posso fazer? Pensa formiga! Pensa formiga!

DONA ÁRVORE: Cara formiguinha querida, posso dar uma sugestão?

FORMIGA: Claro que pode, dona Árvore.

DONA ÁRVORE: VÁ BUSCAR ÁGUA JAAAAÁ! Socorro! Socorro!

FORMIGA: Ah, tá bom! Tá bom! Já vou! Ô plantinha esquentada!

DONA FLOR: Ai o fogo tá se aproximando! Ahhh! Socorro!(DONA ÁRVORE e DONA FLOR correm para fora de cena. Em seguida, FOGUINHO, FOGARÉU e FOGUEIRA Correm atrás deles deixando a FORMIGA sozinha no palco).

FORMIGA: Meu! Este fogo está “bem lôco”! Sozinha vai ser difícil apagar este incêndio. Preciso de ajuda. Mas quem?

(Nisto entra a BORBOLETA e cumprimenta a FORMIGA)

BORBOLETA: Oi Dona Formiga, tudo beeeeeeem!

FORMIGA: Ah, oi dona Borboleta! Que bom que você apareceu (trocam beijos no ar).

BORBOLETA: Por que colega?

FORMIGA: Tá pegando fogo na floresta e eu preciso de ajuda pra buscar água pra apagar o fogaréu. Você poderia me ajudar?

BORBOLETA: Olha amiga, eu adoraria, mas estou indo para a cozinha fazer chocolate para madrinha. Agora não posso. Tô com visita em casa. Beijos. Fui.

(Borboleta sai quase correndo de cena. Ou seja: anda apressadamente para fora do palco)

FORMIGA: Espera, espera! É urgente! É importante! Ai e agora? Ah, tá vindo o sapo Samba Lelê. Tenho certeza que ele não vai me negar ajuda.

SAPO: E aí Formis?! Firmeza?!

FORMIGA: E aí sapitcho querido?! Será que você poderia me ajudar a pegar água para apagar um incêndio na floresta?

SAPO: Sabe que que é? Eu tô doente! Tô com a cabeça quebrada! Preciso ir ao médico urgente! Vou ficar devendo... (sapo fica disfarçando, fingindo e se afastando) Da próxima vez eu vou!

FORMIGA: Mas, mas, mas...

SAPO: Tchau querida!

(Sapo sai de cena)

FORMIGA: (Remendando e imitando o sapo com caretas) “Da próxima vez! Da próxima vez!”, hunf! Da próxima vez, só vai ter cinza pra limpar! (Vendo o elefante que entra em cena) Oba, o seu elefante vem vindo! Agora o incêndio já era! Com aquela tromba, ele vai apagar o fogo numa tacada só! Ô, seu elefanteeeee!

ELEFANTE: Que foi amiga formiga? Por que tanta agitação?

FORMIGA: Está pegando fogo na floresta e eu preciso de ajuda para apagar o incêndio, você poderia me ajudar com a água?

ELEFANTE: Sinto muito, mas eu não vou!

FORMIGA: Mas por que não, amigão?

ELEFANTE: Por quê? Por quê? Ora por quê? Todo mundo fica cantando “um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais!” E agora querem minha ajuda! Também agora eu não vou!

FORMIGA: Mas seu elefante, é por uma boa causa! É para ajudar a floresta e os animais!

ELEFANTE: Eu quero que os animais se mordam! Que eles vão comer formiga! (Em outro tom) Sem ofensa, amiga! Não vou! Não vou! Não vou! Entendido! Adeus!

FORMIGA: Peraí, seu elefante! Tira o ódio de seu coração! Olha o rancor! Faz mal pro fígado, hein! Olha a reforma íntima! Olha a tolerância! Ih, já era! Foi embora! E agora?! Daqui a pouco, só vão sobrar o toco das árvores.

CIGARRA: Cantei! Cantei! Como é bom cantar assim! Zi! Zi! Zi!

FORMIGA: Que felicidade, hein, dona Cigarra? Que energia! Que animação! Gostei de ver!

CIGARRA: Quem canta seus males espanta!

FORMIGA: Que bom! Tô precisando de alguém animado para me ajudar a apagar um incêndio na floresta, será que você poderia me ajudar a apagar o fogo?

CIGARRA: Colega, gostaria muito, mas estou me preparando para o THE VOICE BRASIL e não posso! Aliás, sofro de renite aguda e a fumaça pode estragar minha linda voz.
FORMIGA: Se você não ajudar agora não vai ter palco, nem floresta pra morar. Se você ficar cantando agora, vai é dançar nas labaredas do incêndio depois.

CIGARRA: Sempre gostei do calor da plateia. E, diferentemente de você, eu posso voar e fugir.

FORMIGA: Ô sem noção! Este calor pode matar! E mesmo que você fuja, e depois? Onde vai ficar? Onde vai morar? Incêndio não é brincadeira!

CIGARRA: Olha a conversa está boa, mas eu preciso arrumar minhas malas e embarcar logo em minha turnê. Nem morta eu vou perder esta oportunidade!

FORMIGA: Como assim “a conversa está boa”? Não tá nada bem não! Você ouviu alguma coisa que eu te falei?

CIGARRA: Bye, bye, Formiga! So long!

(Solta o cabelo e vai saindo de cena).

FORMIGA: Ei espere! Espere! Deixa ela vir bater em minha porta pra pedir açúcar emprestado. Vou dar é uma tigela de carvão pra ela. (Respirando fundo) Tonta. (Mudando de expressão de zangada para preocupada) E agora?! Que vou fazer?!

LEÃO: ROARRRR!

FORMIGA: (Dá um pulo) Ai que susto!

LEÃO: (Fazendo pose e jogando o cabelo de lado) Gostou da minha entrada triunfal?

FORMIGA: Amei, majestade!

LEÃO: E minha juba, tratada com óleo de jojoba e manteiga de Karité?

FORMIGA: Ai que tuuuuuuudo!

LEÃO: Eu sou demais!

FORMIGA: É, pois é, e muito humilde também né?!

LEÃO: Que disse?

FORMIGA: Nada não! É que eu pisei numa pedrinha pontuda! Ui! Ui! Viu só?

LEÃO: Ah tá. Tome cuidado, ó frágil formiguinha.

FORMIGA: Ô seu Leão.

LEÃO: Diga baby.

FORMIGA: O senhor que é lindo e maravilhoso!

LEÃO: Verdade, verdade! Obrigado.

FORMIGA: O senhor que é forte e corajoso!

LEÃO: (faz pose de halterofilista, fica se achando) Verdade, verdade! Obrigado, obrigado!

FORMIGA: O senhor que é o rei da floresta!

LEÃO: Verdade! Verdade!
FORMIGA: Poderia me ajudar a pegar água para apagar o incêndio da floresta?

LEÃO: Mentira!

FORMIGA: Não, verdade! Um incendiozão assim ó! Tão forte quanto o senhor! E eu preciso de ajuda para apagar o fogaréu. Você não me dá uma força?

LEÃO: Sabe que que é?

FORMIGA: Ih, lá vamos nós de novo! Fala.

LEÃO: É que eu tenho uma alergia terrível a fumaça. Só de pensar, eu já começo a tossir... COF! COF! Viu?! Tá vendo!? Preciso tomar meu antialérgico. Até mais! Beijinho, beijinho! Tchau, tchau!

FORMIGA: Peraê, seu leão! Volte aqui! Volte aqui, por favor!

GATO: Miau!

FORMIGA: Ai que susto!

GATO: Assustado estou eu! Ai se eu pego quem inventou a música “Atirei o pau no gato!”. Ele vai ver só! Hunf!

FORMIGA: O gatinhoooo! Gatinho lindoooo!

GATO: MIAU! QUE QUE VOCÊ QUER?

FORMIGA: Credo que stress, gatinho! Eu só quero fazer uma pergunta.

GATO: Que que é? Desembucha!

FORMIGA: Tá bom. Lá vai: será que você poderia me ajudar a apagar o incêndio da floresta?

GATO: Não!

FORMIGA: Não?! Por quê?

GATO: Se todas as árvores queimarem, não vai ter mais madeira! Sem madeira, ninguém mais vai atirar o pau no gato-to! Simples assim.

FORMIGA: Nossa gatinha, quanto rancor, quanta mágoa. Tire o ódio do seu coração. As árvores e as plantas não têm culpa pelo comportamento dos outros!

GATO: Num quero saber e tenho raiva de quem sabe! E tem mais: Vê se me erra, ô formiga intrometida! Tchau! Partiu gandaia que eu ganho mais! Fui! Tô indo nessa!

(Coruja entra e fica em segundo plano prestando atenção às últimas conversas)

FORMIGA: Ah eu desisto! Ninguém quer me ajudar com o incêndio! Eu não consegui apagar o fogo, mas vou fazer a minha parte! Nem que eu tenha que morrer tentando! Bora apagar o incêndio!

(Sai a formiguinha)

CORUJA: Cool! Cool! Cool! Que coisa triste! A floresta pegando fogo e todo mundo preocupado com o próprio umbigo! Ah, isso não vai ficar assim não! Vou agir agora mesmo! (Tira um apito e começa a apitar).

CORUJA: Pri! Pri! Pri! (Som do apito) Atenção! Venham todos! Venham todos! Reunião! Reunião!

(Entram todos os bichos, menos a formiga e ficam em fila indiana).

SAPO: Que foi? Que foi? Por que tanta bagunça?

CIGARRA: Por que tanto barulho? Tem banda de rock na selva, é?

BORBOLETA: Nossa! Quanto barulho! Que deselegante, gente!

CORUJA: Silêncio todos que o que eu tenho para falar é muito importante!

(Burburinho)

CORUJA: Ca-la-dos!

(Silêncio geral)

CORUJA: Ô pessoal! Vocês não têm vergonha, não!?

LEÃO: Quem? Você está falando de moá?

CORUJA: É! Vocês!

ELEFANTE: Por quê? O que nós fizemos?

CORUJA: O problema não foi “o que fizeram”, foi o que “não” fizeram!

CIGARRA: Mas o que foi que “não” fizemos?

CORUJA: A pobre formiguinha foi pedir ajuda a cada um de vocês para apagar o incêndio na floresta e o que vocês fizeram? Nada! Vocês inventaram mil desculpas e fugiram com covardia! Agora a floresta inteira corre risco!

TODOS: O quê?!

CORUJA: É! E se todos dessem as mãos e trabalhassem juntos, o incêndio seria eliminado. Mas agora, a pobre formiguinha sozinha. Tsc! Tsc! Tsc! Não vai dar conta deste incêndio e provavelmente morrerá queimada!

BORBOLETA: É verdade gente! Erramos feio com a formiga!

CORUJA: Com a formiga não! Vocês erraram feio com vocês mesmos! Pois a floresta é nossa! É nossa casa que está queimando! É nosso habitat que está sendo destruído! Tá pegando fogo na pata, tá pegando fogo na cauda, tá pegando fogo no rabo! E vocês fizeram o quê?

TODOS:(Com cara de tacho) Nada.

CORUJA: Exatamente! Não fizeram “nada”! E agora toda a floresta corre perigo!

SAPO: E o que vamos fazer?

CORUJA: Vamos todos dar as mãos...

LEÃO: (Desesperado e sem noção) E gritar até acabar o fôlego!

TODOS: Não!

LEÃO: (Envergonhado e sem jeito) Foi mal, gente! Que mico!

CORUJA: Vamos todos dar as mãos e ajudar a formiga a apagar este incêndio já! Então vamos! Vamos lá!

(Saem todos do palco. Passa alguém com uma plaquinha escrito: “Algum tempo depois!”. Em seguida, entram os personagens FOGUINHO, FOGUEIRA e FOGARÉU).

FOGUINHO: Socorro! Socorro! Os animais ficaram loucos!

FOGUEIRA: Oh gente nervosa! Jogaram tanta água na gente que eu até me afoguei! Cof! Cof!

FOGARÉU: Buá! Buá! Acabaram com minhas chaminhas! Minhas lindas labaredas! Chuif! Buá! Buá!

FOGUINHO: Vamos embora! Vamos embora! Esta floresta não é mais lugar para nós! Vamos embora!

(Saem de cena. Entram as fadas ESPERANÇA e PERALTA. Sempre de mãos dadas).

FADA ESPERANÇA: E assim, com a ação conjunta de todos, o incêndio foi eliminado e a floresta foi salva da destruição total!

FADA PERALTA: É como diz o “velho-deitado!”

FADA ESPERANÇA: É “velho-ditado”, criatura!

FADA PERALTA: E o que eu disse?

FADA ESPERANÇA: “Velho-deitado!”

FADA PERALTA: E como é?

FADA ESPERANÇA: “Velho-ditado!”

FADA PERALTA: E o que eu disse?

FADA ESPERANÇA: Ah, tá, tá! Chega vai! Fale de uma vez!

FADA PERALTA: É como diz o velho ditado: “Uma andorinha voando sozinha não faz verão!” É preciso união e cooperação!

FADA ESPERANÇA: É preciso caminhar de mãos dadas! Assim é mais fácil resolver qualquer problema.

FADA PERALTA: E encontrar a resposta!

AS DUAS: E encontrar a solução!

(Entram todos os animais e se posicionam no palco em semicírculo aberto para a plateia e então cantaram uma versão parodiada da música “Will you rock you” - Queen).

DE MÃOS DADAS AGORA!
DE MÃOS DADAS AGORA!
SE NA FLORESTA UM INCÊNDIO CHEGAR
FICA DIFÍCIL SOZINHO APAGAR
É PRECISO ESFORÇO E UNIÃO
TODO MUNDO JUNTO
ENTRANDO EM AÇÃO

DE MÃOS DADAS AGORA!
DE MÃOS DADAS AGORA!
DE MÃOS DADAS AGORA!
DE MÃOS DADAS AGORA!

(Ficam em fileira, unem as mãos e cumprimentam a plateia).

Descem as cortinas. Atores saem de cena.

Fim da peça.

Disponível para download em formato DOC no site:

https://www.recantodasletras.com.br/roteiros-de-teatro-infantojuvenil/5864775

QUADRA DO TRITONGO AMOROSO

Gênero textual: poema metalinguístico
Autor: Profirmeza

Triângulo amoroso à vista
em uma mesma sílaba
Do queijo de Minas ao Paraguai
Tritongo é três, uai!

DITONGOS APAIXONADOS

Gênero Textual: poema metalinguístico
Autor: Profirmeza

Quando duas vogais se apaixonam
Só querem ficar juntinhas
em uma mesma sílaba
ficam sempre agarradinhas!

E não se desgrudam
nem com di-nhei-ro!
nem com bis-coi-to!
nem com bri-ga-dei-ro!

O nome dessa história
não é longo.
Toda vez que aparecem
todos gritam: “Olha o ditongo!”

HIATOS MAROMBADOS

Gênero textual: poema metalinguístico
Autor: Profirmeza

Aparecem em uma mesma palavra
mas não ficam numa mesma sílaba
Forever alone! Solitários!
Hiatos são lendários

Sempre são fortes!
E adoram água tônica!
Eles têm muita sa-ú-de!
E adoram po-e-mas!

Mesmo se chover
na casa do sa-bi-á e na Pa-ra-í-ba
Hiato tá sempre na sa-í-da.
Se não chover, o hiato vai ao te-a-tro.

Até no hiato tem hi-a-to
Vogais juntas nas palavras,
mas separadas nas sílabas!
Fácil, fácil! Só alegria!

DÍGRAFOS NO CAMINHO

Gênero textual: poema metalinguístico
Autor: Profirmeza

Quase no final do caminho
tinha um dígrafo
A palavra dígrafo
Também tem dígrafo
Cuidado! Os dígrafos estão invadindo
os telhados, as praças, as drogarias…
Perseguindo pássaros, cachorros, minhocas...

Mas não se assuste, meu bem!
Dígrafo não é nada de mais, neném!
São apenas consoantes juntas
Encontros consonantais
em uma mesma sílaba
O nome é difícil, mas o conceito
é bem simples!

Dígrafos são duas consoantes
que se unem para representar
na escrita, um mesmo som
Viu! Assim acaba o problema
Letras e consoantes
representam todos os sons
E não escapa nenhum fonema!

quarta-feira, 22 de março de 2017

CARNE FRACA, ÉTICA MORTA!



CARNE FRACA, ÉTICA MORTA!

Pelo de rato no molho de tomate!
Soda cáustica no leite, que arte!
Carne podre reembalada!
Vagando feito alma penada!

O homem não chafurda mais no lixão
Bandeira se viraria no caixão
ao saber que a imundície do pátio
migrou do lixo para gôndola do mercadão.

Será que pensam que por trás do lucro
há vidas em risco de intoxicação?
Ingerindo veneno, acreditando ser refeição?

A carne é fraca, a ética é morta!
Vendem mentira misturada com papelão
E tudo está podre, com a bicheira da corrupção!