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quinta-feira, 12 de junho de 2014

ARTIGO / CRÔNICA ARGUMENTATIVA: PAÍS DO CONTRA (SOBRE O PRIMEIRO JOGO DA COPA DE 2014: BRASIL X CROÁCIA)

PAÍS DO CONTRA

(AUTORIA: SEO QUEQUÊ - PROFESSOR QUARESMA-QUIXOTE - NOVO HETERÔNIMO DE ANDRÉ LUIZ RAPHAEL - O PROFIRMEZA)

Dia 12 de junho de 2014. Pouco mais de 10 minutos de jogo. De repente gritam “Goooool”! Mas ninguém da torcida brasileira comemora, com exceção dos black blocs, que soltaram alguns rojões (ou seriam coquetéis monotofs?). Muitos quiseram escalpelar, passar a máquina zero ou trucidar o coitado do Marcelo, camisa 6, só porque o pobre diabo se atrapalhou e fez o primeiro gol desta “Copa-da-rainha-de-Copas”, quero dizer, Copa-das-copas. E, como tudo no Brasil, o primeiro gol da seleção canarinho tinha que ser “do-contra” também! Assim como, a realidade do nosso país, que, se fosse detalhada neste momento, transformaria este singelo artigo em um verdadeiro romance, dividido em muitas sagas e volumes.
Não fiquei com ódio do Marcelo, nem costurei o nome dele na boca do sapo. Acidentes acontecem. O Brasil, por exemplo, vem se acidentando na política desde a época da ditadura militar. Também não fiquei surpreso! Acho até que este gol vai ser o símbolo mais sincero, mais representativo que nosso país pode ter. Um gol-ícone, uma verdadeira metonímia, uma antítese de um país que tem tudo pra evoluir em grandes saltos, porém, vive engatando a marcha ré, vive fazendo gol-contra. Gol-contra a saúde, a economia, a educação pública e etc, etc, etc. Enfim, gol-contra o povo! Povo este ficou em casa vendo o jogo exibido pela TV, com a narração de quatro engomados azuis, que mais pareciam quatro tenores num baile funk: de um Pavarotti tupiniquim a um Plácido Domingo, mais pomposo e esnobe que duque britânico. Com ingressos custando a incrível bagatela de 990 reais na área nobre e 160 na área do brioche, muita gente preferiu ficar em casa a pagar tão caro por tão efêmero entretenimento. O jeito foi assistir à distância, fazer o quê, né?!
Minutos após o gol “marco” desta copa, que, diga-se de passagem, foi contra, Neymar Junior, depois de acidentalmente desferir um golpe de UFC em jogador adversário, tomou na “zorba” e levou cartão amarelo. Espera aí! Zorba não! Zorba é da concorrente! Neymar tomou foi na “lupo-underwear”, sua patrocinadora oficial (aquela que faz a meia da loba). E já que estamos falando de Neymar, a urucubaca estava solta pra cima do garoto: ele levou encontrão daqui, carrinho dali, torceu o pé, caiu sozinho – lances totalmente sobrenaturais, uma verdadeira “jogatividade paranormal”, um verdadeiro vodu croático. É, minha gente, se continuar deste jeito, creio que o Felipão vai ter que pegar o Neymar pelo calcanhar e mergulhá-lo na mesma academia do Hulk, camisa 7. Aliás, gozado né, ninguém deu encontrão no Hulk-esmaga! Por que será? O “whey” do Hulk foi benzido pelo padim Ciço, foi? Agora no Neymar, chassis de grilo, todo mundo quer folgar! Pode um negócio destes?! Outra opção seria pedir pro Stan Lee aquela máquina de fazer Capitão América, mas acho que ele só vai emprestar depois que o Brasil jogar com os States. Talvez a Petrobrás possa auxiliar nesta transação. Ela já mostrou que é boa pra negociar com os Estados Unidos, não é mesmo (oh yes, of course!). O Stan Lee não será problema!
Bom, o circo foi montado, o picadeiro já está armado, com estádio pronto ou não, a Copa começou. A Croácia perdeu bonito, o Brasil ganhou feio. Poderia ter jogado melhor, mas não jogou. Gol não é tudo em uma partida! Se fosse assim, sexo não precisaria de preliminar, não é mesmo! Placar final: um gol contra de Marcelo (chora não Marcelo, vai demorar, mas o povo esquece. Se esqueceram dos mensaleiros, vão esquecer do seu deslize também!), dois gols do “Neymarzinho de jesus, de uma queda foi ao chão, acadiu o juiz com pênalti, com o seu cartão na mão!”. E, por fim, o Oscar foi para... Oscar, camisa 11, que fez um belo golaço, finalizando o placar em 3X1 para o Brasil-sil-sil! É, isto aí galera, até o próximo jogo! Agora, o povo vai se entupir de cerveja e contra, só que, desta vez, é contrafilé na churrasqueira. Nada que um cartão de débito-crédito não possa parcelar. No país “do contra” temos que rir, pra não chorar, mesmo que em “suaves” e intermináveis prestações. Todos comemoram agora e falar de política, inflação, corrupção, está terminantemente proibido. Alguns vão deixar para discutir estas chateações só para depois das eleições. Afinal, vibrações negativas podem atrapalhar o desempenho da seleção. Todo o cuidado é pouco. Então, nada de torcer contra, hein!

PROFESSOR QUARESMA-QUIXOTE (PARA OS ÍNTIMOS, SEO QUEQUÊ)
André Luiz Raphael