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quarta-feira, 22 de março de 2017

CARNE FRACA, ÉTICA MORTA!



CARNE FRACA, ÉTICA MORTA!

Pelo de rato no molho de tomate!
Soda cáustica no leite, que arte!
Carne podre reembalada!
Vagando feito alma penada!

O homem não chafurda mais no lixão
Bandeira se viraria no caixão
ao saber que a imundície do pátio
migrou do lixo para gôndola do mercadão.

Será que pensam que por trás do lucro
há vidas em risco de intoxicação?
Ingerindo veneno, acreditando ser refeição?

A carne é fraca, a ética é morta!
Vendem mentira misturada com papelão
E tudo está podre, com a bicheira da corrupção!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A PROSA DAS CAVEIRAS



A PROSA DAS CAVEIRAS

No velho condomínio São Bento
Meia noite e meia
Duas caveiras proseiam
Sobre assuntos banais, coisas passageiras

Menina, no velório tá uma choradeira
O presunto era bem famoso na gafieira
Vai deixar saudades na noite brejeira
E muita cama fria de viúva e solteira

Azar dos vivos, loteria dos mortos!
Cadáver vistoso, cheio de vermes viscosos
Agora é nosso! Nosso não! Eu vi primeiro!

Vermes não devoram sonhos
Vontades a morte não enclausura
Desejos não têm sepultura

CEMITÉRIOS



CEMITÉRIOS

Para muitos é mero repositório
de resíduos, saudades, lamentos e tormentos humanos
Para outros, memorial de tristeza profunda e insana
Mas para mim, tem função divina e profana

Jaz sobre os ossos fértil terra
Para sombria e reluzente imaginação
Para muitos o fim, pra mim, só o início
Do primeiro dia da criação

Como Shelley, ando pelas tumbas, profanando histórias
Coletando e costurando pedaços, misturando memórias
Como Quixote, vejo moinhos de vento virar gigantes

Com o sopro de minha tinta e a lira de minha voz
Tal qual Orfeu, recupero de Hades a vida subtraída
E desta vez será imortal, jamais restará corroída.

EFÊMERA EPIFANIA



EFÊMERA EPIFANIA

Quando as veias de minha fronte
engrossaram, estufaram, saltaram...
quando a última gota de vinho
chegou ao gargalo... pensei

Seria stress somente
ou seria a foice da morte
roçando minha mente
dizendo que nada é pra sempre?

A vida é curta demais pra soltar pião
Longa demais pra ganhar o pão
Insuficiente demais para a degustação

Que cada minuto não seja em vão
Se não for prazer, que seja lição
Há muito a viver, não há tempo pra lamentação

quarta-feira, 13 de julho de 2016

NEOFEUDALISMO


NEOFEUDALISMO

Com bela retórica e eloquentes discursos vazios
Eles acenam, dão sorrisos, beijam crianças e vão tecendo fios
Prometem ambrosia, néctar e, do Olimpo, a sagrada chama
Pedindo em troca apenas um voto de nossa confiança!

Porém, depois da eleição, parasitas corroem a nação!
Arrancam o nosso fígado, roubam a esperança, estrangulam crianças.
Nos dão as costas, só enxergam o próprio umbigo fedendo a bosta!
Prometeu se apagou, só sobraram Dorian Gray, Fausto e Narciso.

E agora Narciso se afoga de vez
em um mar de lama
e estupidez

Esta estirpe maldita
que o povo elegeu
reedita o sistema feudal outra vez.

AS GÓRGONAS DE POMPEIA


AS GÓRGONAS DE POMPEIA

É difícil respirar
em uma atmosfera
onde um bando de feras
vivem a conspirar

É difícil realizar
em um lago mergulhar
onde um bando de porcos
vivem a chafurdar

Górgonas petrificam egrégoras
Corações, intenções, instituições viram pedras
Tudo vira massa, número, título e moeda

Heróis míticos, inimigos reais
Onde estão Perseu, Hércules e Ulisses?
Nas sombras celulares cortejando o apocalipse


(* aos neossenhores feudais que o povo elegeu)

terça-feira, 12 de julho de 2016

RECEITA PARA CORTAR TRISTEZA


(foto: cemitério São Bento 2016 - acervo pessoal)



RECEITA PARA CORTAR TRISTEZA

Cortar o corpo para sarar a alma perdida
Nada adianta esta empreitada lida.
Engana-se quem se faz de velha parca desfiando tendões
Tentando, assim, com dores, aplacar abertas feridas

Decretar morte ao corpo, extinguindo a vida
Destruir o concreto para eliminar o abstrato
Matar o amigo para atingir o inimigo, ações vãs!
Sangrias não levam à Shangri-Lá! Nem a doces maçãs!

O único meio é alterar a vibração, a frequência
É transformar a dor em arte, mudar melodias, cadências
Inverter polaridades, preencher de amor as ausências

Pegue, então, tua tristeza, fúria ou rancor
Jogue-os no papel com as tintas do rio Lete
E tuas lágrimas transformar-se-ão no sorriso de Pigmalião.


*para meus shining students