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sábado, 26 de março de 2011

DENGÓPOLIS - A MORADA DA DENGUE

O que faz uma cidade, que é referência em educação e informação ter alarmantes casos de dengue? Seria falta de conhecimento, instrução? Acredito que não! São tantas propagandas: fotos do mosquito com infográficos sobre os perigos e as formas de prevenção, mosquitos personalizados com cara de gangster, sendo massacrados por um sinal de proibido bem gigante, musiquinhas de conscientização, crianças vestidas de super-heróis, entrando em casas e orientando sobre o combate, artistas famosos fazendo apelos. Só falta colocar mulher seminua para falar dos perigos da água parada e da dengue, pô! (mas é aí que ninguém vai prestar atenção em nada mesmo), pois de resto tudo já foi feito.
O problema é que há pessoas que tem água parada no cérebro. Local de difícil acesso para a fiscalização. E são estes indivíduos de mente aquática que deixam vasos nadando em recipientes com água, piscinas verdejantes de musgo que não veem cloro há muito tempo, lixo em terrenos baldios e na rua, o pote de água do cachorro com água jurássica, ou seja, Araraquara deveria ser chamada de “Morada da Dengue” ou “Dengópolis”, pois a cidade é um verdadeiro hotel de cinco estrelas para o mosquito. O mercado imobiliário da cidade nunca foi tão favorável ao inseto: ele tem sangue em abundância, sombra e água fresca em dezenas de residências de nosso município. As pessoas nunca foram tão solicitas com algo que nos faz tão mal. É como ser assaltado e dizer ao bandido “Obrigado, volte sempre! Agradecemos pela preferência!”
O pior é que estes seres “hidro-anencéfalos” (se me permitem o neologismo) que dão esta “sopa” ao mosquito (ou seria água?) não percebem os efeitos colaterais que geram na cidade. As pessoas infectadas vão aumentar as incidências do contágio, a isto chamamos “epidemia” (se desconhecerem a palavra, procure no dicionário, por favor!). Com mais pessoas infectadas, os hospitais e prontos-socorros vão ficar tão abarrotados, como supermercado em véspera de feriado. Logicamente, como dois e dois são quatro (joga no Google se tiver dúvida!), o atendimento e a solução do problema vão ser prejudicados no quesito qualidade e tempo. Entretanto, há casos que não podem esperar. Não dá para dizer ao infartado “espera na fila que a gente já vai te atender” ou “não vai morrer agora, espera só um pouquinho” ou ainda para o acidentado “segura as tripas que o doutor já vai costurar, tá boooooom?”.
O interessante é que muitas destas pessoas em suas rodas de bate-papo espinafram o serviço público, sem reparar que a solução de um problema, para ser efetiva, não depende somente do governo ou da prefeitura municipal, depende de todos. Adianta muito alguém arrumar a bagunça para outro desfazer em seguida tudo o que foi feito. Tem graça? Não seria melhor unir forças em prol de uma mesma ação.
O pior de tudo é que tem vereador fazendo projeto para “premiar” e, assim, incentivar atitudes cidadãs no combate a Dengue. O projeto é interessante, mas a que ponto chegamos?! Isto é o mesmo que procurar razões, justificativas, argumentos pedagógicos e lógicos para que alguém utilize o papel higiênico após suas necessidades fisiológicas. A atitude dos políticos é nobre, mas a sociedade tem que se conscientizar. Senão, daqui a pouco vamos criar o “Bingão do Dengão” (com prêmios de montão!), o “Dengue Zero”, o “Bolsa Dengue”, sendo que a atitude de precaução e prevenção é obrigação do cidadão. Contribuir para a propagação desta doença, de uma forma ou de outra, deveria ser considerado crime. Se a dengue mata, compactuar com ela, é compactuar com uma tentativa de homicídio. Pense nisto, cidadão! E se sua cabeça anda meio “encharcada”, talvez esteja na hora de uma boa limpeza e uma boa reflexão. Afinal, destruir o foco do mosquito é fácil, é questão de opinião e persistência. Não espere a Dengue entrar em sua casa e colocar em risco a vida das pessoas que você ama e a sua para depois tomar uma atitude.
Araraquara já é a morada do sol, não há espaço para a Dengue aqui! Lute por isto. Diga a Dengue “Uh, fora! Uh, fora! Uh, fora...

Texto de Profirmeza (André Luiz Raphael)

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