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domingo, 22 de maio de 2016

SHAKESPIRANDO - ROTEIRO TEATRAL - HOMENAGEM A SHAKESPEARE

SHAKESPIRANDO (PEÇA TEATRAL DE ANDRÉ LUIZ RAPHAEL)

(Escolinha do professor Shakespeare)

De André Luiz Raphael
Personagens:
Professor Shakespeare
Romeu
Julieta
Otelo
Hamlet
Catarina
Petrúchio
Rainha Elizabeth
Dois guardas
Pessoas do coro

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SHAKESPEARE: - Bom dia, classe. Espero que vocês estejam preparados, pois hoje teremos chamada oral e eu não quero nenhuma tragédia no boletim do final da etapa, entendido?

PETRUCHIO: - Sêo Milkshakespeare!

SHAKESPEARE: - É Shakespeare, Petrúquio! Shakespeare!

PETRÚCHIO: - Saúde, professor! Toma mel com limão que a gripe passa.

SHAKESPEARE: - Não Petrúquio! Não foi um espirro! O que eu disse foi a pronúncia correta de meu nome!

PETRÚCHIO: - Pra mim pareceu mais uma pigarreada, seguida de uma catarrada remelenta.

CATARINA: - Ai como você é porco e nojento, Petrúquio.

PETRÚCHIO: - Oh, eu deixei a leve pombinha enjoada?

CATARINA: - Leve demais para um abutre feito você!

CLASSE: - (A cada tirada a faz expressões): Uh! Oh!

PETRÚCHIO: - A pombinha virou uma vespa, é?!

CATARINA: - E cuidado com o meu ferrão!

PETRÚCHIO: - Ferrão a gente arranca!

CATARINA: - Precisa encontrá-lo primeiro!

PETRÚCHIO: - E onde ele fica?

CATARINA: - Na língua!

PETRÚCHIO: - De quem?

CATARINA: - Na sua...

SHAKESPEARE: - Ei! Ei! Vamos parar com este dramalhão mexicano, que o teatro aqui é elisabetano! Posso continuar minha aula!

CLASSE: - Pode professor Shakespeare!

SHAKESPEARE: (Dá uma tossidinha e continua) - Julieta!

JULIETA: - Romeu! Romeu! Romeu! Onde está Romeu!

SHAKESPEARE: - JULIETA! ESCUTE!

SHAKESPEARE: - Não adianta ficar chamando por Romeu. Ele foi para outra turma, pois vocês estavam se dispersando muito durante
as aulas.

JULIETA: - Euuuuuuuuuuuuuuu! Magina!

SHAKESPEARE: - Sim você! E eu posso provar!

JULIETA: - Então prove, ó cruel professor!

SHAKESPEARE: - Pois bem, vamos lá... Quem botou fogo em Roma?

JULIETA: - Olha... em Roma, eu não sei! Mas quando eu olho pra Romeu, ele me faz arder em chamas!

CLASSE: - Ooooooooh!

SHAKESPEARE: - Silêncio! Vamos continuar... Julieta...

JULIETA: - Sim, desalmado professor!

SHAKESPEARE: - Quantos metros cabem em um quilômetro?

JULIETA: - Olha... em um quilometro eu não sei! Mas no meu coração cabe todo o amor de Romeu! Oh Romeu! Cadê você?

SHAKESPEARE: - Viu! Eu não falei! Você só pensa em Romeu!

ROMEU: - Julieta!

JULIETA: - Romeu!

PETRÚCHIO: - Ih, agora lascô! A aula do seo Chico Espirro foi pro brejo!

CATARINA: - Cala a boca, seu neanderthal! Não estraga a cena! Aprenda como se trata uma dama!

PETRÚCHIO: - Pra que? Não tem nenhum dama aqui! Só uma mula manca!

CLASSE: - Ooooooooh!

CATARINA: - Ora seu cavalo!

PETRÚCHIO: - Anta!

CATARINA: - Jumento!

PETRÚCHIO: - Sua capivara!

SHAKESPEARE: - Chegaaaaaaa! (silêncio) Antes que vocês dois citem toda a fauna brasileira! Pra diretoria já!

(Os dois saem brigando e vão dizendo: Tá vendo a culpa foi sua! Foi sua! Sua! Sua! Sua!)

E olhando para Romeu e Julieta...

SHAKESPEARE: - Vocês dois também!

ROMEU: - Eu só vou se Julieta for comigo!

JULIETA: - E eu só vou se Romeu for comigo!

SHAKESPEARE: - Isso mesmo! Vão os dois! Sumam da minha frente!

(Os dois saem felizes e saltitantes – o coro canta a música de Romeu e Julieta).

SHAKESPEARE: - Ai! Ai! Que dureza! Bem, vamos lá! Senhor Hamlet!

HAMLET: - Ser ou não ser: eis a questão! Estudar ou colar! Fazer a lição!

SHAKESPEARE: - Olha, senhor Hamlet, não me venha com esta conversinha mole de loucura não! E tem mais: aquela história que seu pai morreu e só fala com você e com mais ninguém também não colou não! Na próxima reunião de pais eu quero conversar com ele, entendeu. Quero conversar com ele! Nem que tiver que invocá-lo em um terreno de umbanda, entendido! Seu boletim revela que há algo podre no reino da Dinamarca!

HAMLET: - Sim, senhor! Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia!

SHAKESPEARE: - Tá! Tá! Sem devanear Hamlet! Responda sem enrolar! Você fez a pesquisa que eu pedi?

HAMLET: - Sim, claro que fiz, milorde! (mudando de tom) Sobre o que era mesmo?

SHAKESPEARE: - Olha eu não devia, mas vou te ajudar! A pesquisa era sobre um ditador tirano que governava a Alemanha durante a segunda guerra mundial! Quem era ele?

HAMLET: - Mestre, sei exatamente de quem você está falando!

SHAKESPEARE: - Pois bem, então diga!

HAMLET: - Você está falando do meu tio Claudius! Aquele pilantra!

SHAKESPEARE: - Não! Claro que não! Estou falando de Hitler da Alemanha nazista!

HAMLET: - Sim, isto mesmo! Hitler é um dos capangas de meu tio Claudius e a Alemanha era colônia da Dinarmarca!

SHAKESPEARE: - Oh Hamlet! Você é muito cara-de-pau, né mesmo! Tentando me enrolar! Onde você fez esta pesquisa?

HAMLET: - Pesquisei na mais completa biblioteca do mundo! A biblioteca da Dinamarca!

SHAKESPEARE: - Ah é da Dinamarca né!

HAMLET: - Sim senhor! Da Dinamarca! E então! Qual é a minha nota?

SHAKESPEARE: - Que bom que você perguntou! Então, eu vou enviar a tua nota pra biblioteca da Dinamarca! E enquanto ela não chega, você pode ficar com a nota zero!

HAMLET: - Oh... Fragilidade teu nome é professor! Que ao invés de me 10 dar só me dá zero!

SHAKESPEARE: - Bem continuando...

HAMLET: - Mestre! Lembrei-me de algo importante!

SHAKESPEARE: - Pois então… diga homem!

HAMLET: - Posso ir ao banheiro!

SHAKESPEARE: - (Silêncio) Será que sobrou um pouco daquele veneno que seu tio pingou no ouvido de seu pai, Hamlet!

HAMLET: - Creio que sim, profs. Por quê?

SHAKESPEARE: - Pra eu pingar na sua merenda!

HAMLET: - Oh!

SHAKESPEARE: - Vá ao banheiro Hamlet! Vá!
(Hamlet sai.)

SHAKESPEARE: - Ai! Ai! É cada um que me aparece! Bem, mas vamos lá!

SHAKESPEARE: - Otelo!

OTELO: - Yes, sir! (Faz posição de sentido)

SHAKESPEARE: - Descansar soldado!

OTELO: - Obrigado!

SHAKESPEARE: - Então, senhor Otelo. Fiquei sabendo que o senhor recentemente se casou.

OTELO: - É verdade senhor.

SHAKESPEARE: - Parabéns!

OTELO: - Obrigado novamente senhor!

SHAKESPEARE: - Mas Otelo, agora mesmo conte um pouco sobre o Minotauro!

OTELO: - Por que o senhor está me perguntando sobre o Minotauro? É por um acaso algum tipo de indireta? O senhor está tentando me dizer algo? O senhor está me chamando de corno? Diga professor! Não me esconda nada! Já sei! Minha mulher está me traindo? Ah, eu sabia! Eu sabia! Bandida! Bandida!

SHAKESPEARE: - Calma Otelo! Calma! Sem paranoia! Foi apenas uma pergunta sem propósito. Só queria saber se você estudou o conteúdo sobre mitologia grega! Perguntei sobre o minotauro, mas poderia muito bem ter perguntado sobre os sártiro, os faunos e outros seres encantados!

OTELO: - Você quer dizer outros chifrudos, né!

SHAKESPEARE: - É... digo nãããõ!

OTELO: - Eu vou matar aquela ingrata!

SHAKESPEARE: - Calma Otelo! Esfria sua cabeça! Você está tendo um ataque de ciúme! Este lance de chifre, é algo coisa que colocam na sua cabeça.

OTELO: - Ah, eu vou matá-la! Vou mata-la! (E sai correndo).

SHAKESPEARE: - Espera aí, Otelo! Volte! Ah meu Deus! Isto vai dar “Cidade alerta”! (Em outro tom) Mereço! Mereço! Eu devo ter colocado chiclete no saiote da rainha Elizabeth! Só pode!

Entra a rainha e dois guardas

RAINHA ELIZABETH: - Você fez o quuuuuuê!?

SHAKESPEARE: - Majestade!

RAINHA ELIZABETH: - Então foi você, seu cachorro!

SHAKESPEARE: - Milady, foi apenas uma força de expressão! Uma expressão figurada!

RAINHA ELIZABETH: - Eu vou te mostrar a força de expressão! Guardas levem-no para a masmorra!

(Os guardas seguram Shakespeare pelo braço e o tiram de cena)

SHAKESPEARE: - Foi só uma expressão! Foi linguagem figurada! Socorro! Socorro! Socorro!

RAINHA ELIZABETH: - A aula acabou! Palmas pra mim, por favor! Obrigada! Obrigada! Agora circulando! Todo mundo pra casa, senão! Já sabem! Tem bastante espaço na minha masmorra resort! E tenho dito! Adeus! (e sai de cena com o nariz empinado).

Fim da peça

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