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terça-feira, 27 de abril de 2010

SEMINÁRIO

O que é (e o que não é) um seminário


Márcia Pontes
Profa. Assistente da FACED/UFBA


A cada semestre os seminários se repetem como os dias e as noites. Alguns são bons, ótimos e até brilhantes. Entretanto, alguns seminários deixam tanto a desejar que a sensação que se tem no final, é que houve um enorme desperdício de tempo tanto dos apresentadores como da platéia. Numa tentativa de ajudar os alunos das minhas disciplinas a se prepararem melhor para este evento, tenho apresentado algumas sugestões:


DEFINIÇÃO DE SEMINÁRIO


Segundo Juan Bordenave 1: "A palavra seminário tem a mesma etimologia de semente, o que parece indicar que o seminário deve ser uma ocasião de semear idéias ou de favorecer a sua germinação". Talvez seja por esta razão que nas Universidades o seminário constitui, em geral, não uma ocasião de mera informação, mas uma fonte de pesquisas e de procura de novas soluções para os problemas. Basicamente o seminário é um grupo de pessoas que se reúnem com o propósito de estudar um tema sob a direção de um professor ou autoridade na matéria. A sua finalidade é:


  • identificar problemas

  • examinar os seus diversos aspectos

  • levantar informações pertinentes

  • apresentar os resultados aos demais membros do grupo

  • receber comentários, críticas e sugestões dos companheiros e do professor

No seminário os alunos são os agentes da sua própria aprendizagem.


PARTICIPAÇÃO DOS MEMBROS DO GRUPO


Todos os membros devem conhecer tudo que for estudado/pesquisado sobre o tema. A fragmentação do tema em partes não permite uma compreensão adequada do mesmo e fica visível durante a apresentação que, nesses casos, é mecânica e artificial, além de criar um problema prático de deixar uma lacuna se um dos membros não comparecer no dia da apresentação.

Em princípio todos deveriam falar nas apresentações. Mas se um dos membros tem maiores dificuldades em relação a falar em público (timidez, dificuldade de expressão) é melhor que ajude o grupo em tarefas de preparação, ou fique por exemplo, com a apresentação do roteiro.

Os temas podem e devem ser divididos pelos membros, para efeito de apresentação, mas cada um deve dar conta de um bloco completo de informações devendo-se evitar a forma de jogral onde cada um diz uma frase.


FONTES DE PESQUISA/ESTUDO


O professor tem o dever de orientar os alunos quanto aos tópicos e a uma bibliografia básica, inclusive onde o aluno poderá encontrar essa bibliografia. Por sua vez, os alunos devem tomar iniciativa de buscar outras fontes, ler jornais e revistas, visitar home pages, visitar instituições, fazer entrevistas, ou seja, pensar em formas e meios de enriquecer o seu estudo do tema, e não ficar limitado a apenas executar as sugestões do professor.


O TEMPO


O professor deve organizar o seminário com bastante antecedência, afinal a sua disciplina não é a única, e os alunos não devem deixar para a véspera a preparação do mesmo. Outra questão relacionada com o tempo é a necessidade de planejar a apresentação dentro do tempo estabelecido previamente. É constrangedor ver alunos falando para uma sala vazia porque a aula acabou e ficaram apenas o professor e alguns colegas olhando para o relógio. Ou então, depois de alguns minutos de apresentação o grupo informar que a apresentação acabou deixando a impressão de que o tema não foi suficientemente estudado. É bom lembrar também, no caso de duas ou mais apresentações na mesma aula, que o grupo que vem a seguir deve ter o seu tempo respeitado.
Outra questão relacionada com tempo é a distribuição dos tópicos. Alguns grupos tendem a se estender demais num determinado item do tema, faltando tempo para outros, às vezes mais relevantes. Uma técnica aconselhável para controle do tempo de apresentação é ensaiá-la cronometrando parte por parte.


A APRESENTAÇÃO


No dia da apresentação o grupo deve chegar um pouco mais cedo para preparar a sala, colocar os cartazes, escrever no quadro, checar o vídeo ou o retroprojetor. Afinal, no tempo dado pelo professor não estão incluídos esses preparativos.
Todos os membros devem se colocar de frente para a turma, de forma que não haja dúvida sobre quem são eles. A apresentação deve se iniciar com a identificação (nomes) dos componentes, o nome do tema, que deve também estar escrito no quadro ou num cartaz, assim como o roteiro do seminário. Se o grupo enfrentou alguma situação especial de dificuldade, ou de qualquer natureza deve relatá-la brevemente. O roteiro deve ser respeitado. Durante a apresentação não se deve nunca, jamais:


  • Fazer leitura de texto. leitura de textos é a maneira mais segura de entediar a platéia e garantir a desatenção. Ninguém ouve textos lidos, a não ser frases ou parágrafos curtos e significativos.

  • Apresentar dados numéricos, estatísticos, classificações ou expressões desconhecidas sem o apoio visual do quadro de giz, cartaz, ou transparência. Este tipo de informação, quando apresentada apenas oralmente, tende a ser imediatamente esquecida ou confundida.

  • Apresentar cartazes ou transparências em letras muito pequenas e ilegíveis. Recomendas-se para transparências a fonte Arial, tamanho mínimo 14, em negrito, e os cartazes podem ser testados colocando-se numa distância correspondente ao fundo da sala de aula. Não se deve colocar textos longos nesses dois recursos visuais. Não é essa a sua função.

  • declarar para o grupo que está nervoso não ajuda, piora a situação. Procurar se envolver psicologicamente no tema apresentado e pensar que seus colegas não têm performances muito melhores ajudam mais do que ficar repetindo "estou tão nervoso..."

  • Decorar a fala, o texto, é um recurso que chega a expor o apresentador ao ridículo. A não ser que ele tenha uma capacidade teatral de parecer natural ao repetir a decoreba. O ideal é que o aluno compreenda as idéias estudadas e as apresente numa fala espontânea.

  • Substituir a apresentação por um vídeo ou um palestrante convidado não é correto. A apresentação deve ser um produto do trabalho do grupo e não a apropriação de um trabalho feito por outros.

  • Os vídeos ou palestrantes devem ocupar apenas uma parte do tempo, quando este for suficiente.

  • Não invadir o tema de outro grupo. Às vezes um grupo ignora que outro grupo deverá falar sobre um tema correlato e antecipa as informações causando problemas.


ANTES E DEPOIS DA APRESENTAÇÃO


  • Avisar ao professor para fazer a reserva de vídeo, retroprojetor, data-show ou auditório com antecedência. Caso contrário, corre-se o risco de não conseguir o equipamento.

  • Se quiser uma avaliação mais detalhada que a nota, perguntar ao professor o que ele achou da apresentação em público ou em particular.


ALGUMAS SUGESTÕES:


  • Selecionar informações relevantes sobre o tema. Não se pode gastar tempo com detalhes sem importância ou informações que não têm nenhuma utilidade na compreensão do assunto.

  • Assegurar-se da correção das informações. O grupo pode se expor ao constrangimento de ser corrigido pelo professor ou até mesmo pelos colegas ao passar informações equivocadas.

  • As dramatizações, danças, expressões corporais e outros recursos não convencionais enriquecem a apresentação e garantem a atenção da turma. Entretanto, é importante lembrar, que a forma não pode minimizar ou ignorar o conteúdo.

  • Reservar sempre um tempo no final da apresentação para perguntas e comentários. Vivemos numa época em que a interação e o diálogo são indispensáveis.


1 Estratégia de Ensino Aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1986.

2 Gerir, v. 6, n.14, p.13, julho/2000.


FONTE DIGITAL:http://www.faced.ufba.br/~dacn/seminario.htm

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