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sexta-feira, 22 de abril de 2011

O MONSTRO QUE O SISTEMA CRIOU (REALENGO)

Realengo: o monstro que o sistema criou

Sabe aquele monstro? Aquele, que provocou uma verdadeira chacina em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro. Aquele mesmo. Ele nem sempre foi um monstro. Um dia (acreditem!) ele foi criança! Uma criança que o sistema consumiu. Uma criança que foi devorada pelo abandono, pelo tempo e pelas falhas de nossa sociedade, que, com suas políticas de massa e suas ações burocráticas, alimentam as mais alienantes criaturas e seus delírios.

Não estou defendendo o jovem assassino. Longe disto! Nada que este jovem tenha sofrido justifica tamanho ato covarde! Tamanha atrocidade! Não justifica, mas explica muita coisa. Explica um processo de criação de um monstro. A intenção aqui é lançar uma pedra no lago da conscientização para que, desta forma, possa contribuir para uma imunização da sociedade contra estas patologias que nos assolam diariamente, através do crime, da violência e outras aberrações em todos os setores, passando pela escola à sociedade. E evitar que outros monstros sejam gerados. Está na hora de fechar a fábrica e reformar a escola e, consequentemente, a sociedade.

Se fizermos um retrocesso na vida deste jovem, perceberemos que este foi abandonado, passando, posteriormente, por um processo de adoção. Em sua vida escolar, há indícios, segundo reportagens, que sofrera bullying e outros abusos. Depoimentos ainda revelaram um jovem calado, contraído, recluso, que era chamado de “bicha” por uns, “Bin Laden”, por outros, chegando, até mesmo, a ser jogado em uma lixeira. Pois é... a vítima do tempo, virou o monstro hediondo de hoje. Teve treinamento e livre estágio para isso: sua tortuosa vida escolar. Se a escola fosse uma obra de Dante, com certeza, para Wellington seria o inferno. Um inferno que o consumiu e o levou a procurar simpatizantes da exclusão, da dor, da revolta, da frieza e do endurecimento de coração. E o que o sistema fez? Nada! Cadê o assistente social que a escola deveria ter? Cadê o psicólogo que a escola deveria ter? Onde estão? Ninguém notou que o jovem sofria bullying? Ninguém notou que ele era muito introspectivo? Ninguém que notou que Jekill estava se tansformando em Hide? Ninguém notou que o jovem passava por uma metamorfose de Kafka? E caso tenham notado algo, fizeram o quê? São perguntas que até agora estão sem resposta.

O melhor amigo, após a morte da mãe, é o computador, uma verdadeira “roleta russa” de opções, com seus jogos violentos e sites bem propícios, onde pessoas com obsessões em comum, podem se encontrar.
A polícia se questiona como este jovem teve acesso às armas e ao treinamento, pois tinha perícia de atirador. Ora, ora, que perguntinha sem-vergonha! O acesso à arma não é de se espantar: tem mais arma por metro quadrado neste país do que livro ou oportunidade de êxito social. E mais, ele tinha os melhores professores: basta ligarmos um computador ou um videogame e poderemos nos “deliciar” com jogos como Bully, que promove violência e vandalismo dentro de uma escola (os produtores ainda dizem que trata-se de uma sátira! Ah! Estou explodindo de tanto rir!), Counter Strike, neste, o jogador pode desferir vários “head shots” (tiros na cabeça) em seus adversários (Seria este o preferido do assassino?). Lembrando que neste jogo você pode ser aliado ou terrorista, com missões específicas. Será que a vida, ou a subvida (neste caso), imitou a ficção? E temos ainda a série GTA (Grand Thief auto) e suas versões nas quais você pode ser justiceiro, bandido e pode ter dezenas de missões interessantes, como, por exemplo, matar civis, policiais, bandidos, roubar, depredar. Segundo o primo do assassino, ele passava horas na frente do computador, era fissurado por “11 de setembro” e até treinava em um simulador de vôo, lançar um avião sobre o Cristo Redentor (Puxa vida! Até terrorismo a juventude anda importando! Assim não dá!). Olha só quanta coisa “legal” para se colocar nas mãos de um jovem desequilibrado! Não é como acender um estopim? Sssss! Uma hora explode.

Você, caro leitor, pode até dizer que há pessoas que jogam jogos violentos e não ficam alienados e que também há pessoas que sofrem exclusão, abandono ou bullying e nem por isso produzem atrocidades ou entram no crime. Entretanto, até quando vamos colocar nossa segurança e o nosso futuro nas mãos do acaso? Você daria de presente a seu filho uma bomba-relógio ou uma cobra peçonhenta? Tem gente que presenteia! E aloém disso, encaremos os fatos: primeiro apareceu aquele jovem que atirou em pessoas dentro de um cinema, agora este outro jovem que atirou em crianças indefesas em plena sala de aula. O que eles tinham em comum? Ambos fritavam as ideias com jogos violentos! Até quando vamos permitir isto!? Será que já não está na hora de dar um basta nesta situação?

Temos ainda o cinema, que arrasta multidões com seus psicopatas escrotos e sanguinários, tais como o filme “Jogos mortais” e similares que estimulam a violência, banalizando a mesma. As redes sociais, ao mesmo tempo, que unem as pessoas, também agregam malucos em prol de uma mesma idiotice. No Orkut é comum encontrarmos comunidades como “Eu faço merda na escola”, “Minha escola é uma droga”, “A escola é a única droga que não vicia”, “Vamos botar fogo na escola” ou ainda “Terrorismo escolar”, onde alunos e ex-alunos orgulham-se, com nostalgia, de atos de vandalismo em escolas (Quanto incentivo, não!? Um verdadeiro “monstruário”).

Efeitos do Capitalismo, fins dos tempos, convulsão social, dissolução da família e de valores imprescindíveis para o desenvolvimento de atitudes cidadãs, afastamento de Deus, falta de oportunidade. Nem sei por onde começar, mas o que sei é que as pessoas trabalham demais e ganham pouco, tão pouco que um pai e uma mãe saem para trabalhar, delegando todo o processo educativo para a escola. A escola até tenta, mas a concorrência é muito desleal. Nossos heróis são de carne e osso e estão cansados. São muitos os vilões: o acesso a coisas impróprias e violentas, o crime, as drogas, a omissão, a ausência dos pais, que ficam atolados no mercado de trabalho, sem poderem criar um filho direito. E assim quando o sistema não consegue explorar ou dominar as pessoas, transformando-as em tijolos rijos, inertes e frios em um imenso muro de lamentações, acaba criando os seus Franksteins (bandidos, traficantes, insanos e psicopatas). Monstros que se voltam, geralmente, contra os membros mais indefesos da sociedade, que neste caso especificamente, foram as crianças daquela escola em Realengo. Crianças que nada fizeram de errado, não contribuíram para a criação daquele ser abominável que devorou suas vidas covardemente. Botões de rosa que foram ceifados antes do tempo e agora causam uma imensa lacuna na vida de seus pais. Vítimas que pagaram com a própria vida os erros de nossa sociedade.

Portanto, que a dor desta tragédia nos desperte para uma luta, pois o que aconteceu em Realengo poderia ter acontecido na escola de seu filho, caro leitor. Mas que nossa luta não seja cega, sem foco! Vamos lutar contra este sistema que nos destrói e nos consome, pois é o sistema que deveria servir ao homem e não o oposto! Vamos fechar, de uma vez por todas, esta fábrica de monstros na qual nossa sociedade se convertera. Vamos cuidar melhor de nossa casa, de nossos filhos, de nossa vida e de nossa educação, exigindo e lutando por uma escola de qualidade, uma saúde que honre os impostos que pagamos (E olha que são muitos!), um salário que possibilite termos qualidade de vida! E vamos exigir de nossos governantes, aquilo que eles prometeram no palanque de comício, em período de eleição. E, lembre-se, lugar de político vagabundo e corrupto é na lixeira! Não serve nem pra reciclagem! Vamos votar com consciência. Chega de analfabetismo político! Através de trabalho coletivo, envolvendo todos os cidadãos e as autoridades responsáveis, poderemos converter este sistema que cria e potencializa problemas em algo que soluciona e propicia oportunidades a todos os seus membros (Eu disse todos! Sem exclusão). Agindo assim, talvez um dia (quem sabe), poderemos lembrar destas atrocidades e destes monstros terríveis que o sistema criou, como uma triste lembrança de um passado muito distante. Chega de sermos ovelhinhas, esperando um lobo vir nos devorar! Chega de sermos “another brick in the wall!” (Outro tijolo no muro, Pink Floyd). Quebre o muro, construa pontes, construa caminhos, construa uma escola! Uma escola formativa e transformadora! Cuidar da escola é cuidar do nosso amanhã! E para finalizar esta reflexão gostaria de deixar para você, leitor, este trecho de uma música de nosso saudoso John Lennon: “Imagine all the people, living life in peace!” (Imagine todas as pessoas, vivendo a vida em paz!). E que assim seja!

André Luiz Raphael
Profirmeza (Professor Firmeza)

9 comentários:

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